Acerca do meu raciocínio inicial sobre coletividade e consciente humano, cheguei a algumas hipóteses e gostaria de compartilhar. Talvez isso mostre o quanto confuso e incompreendido um geminiano pode ser.
Não pretendo abordar tudo inicialmente. Gostaria de começar pela consciência que gira em torno das figuras superiores, os deuses. Assim iniciando, poderia falar sobre a criação do bem e do mal e das características que podem ser observadas no ser humano diante desse tema.
O teocentrismo terminou? É uma pergunta significante, pois consideramos que algo teve seu fim quando deixamos de percebê-lo escancarado à nossa frente. Podemos afirmar que terminou ou não, de acordo com o objeto de análise. Universalizando o tema, diria que ele é presente, mas passa despercebido.
De onde surgiu o bem e o mal? Quem definiu o que é certo e errado? Voltaria à questão do objeto em questão, entretanto, restringirei à cultura globalizada, sendo que essa teve seus alicerces culturais na Europa, considerando todos os seus aspectos, principalmente o religioso cristão.
Nossa carga cultural define o que é certo ou errado. O que é normal, comum e o que é mórbido, patológico. De acordo com Émile Durkheim, fatos sociais que agridem a sociedade, a desestruturam, vão contra seus costumes e preceitos, assim dizendo, seriam os patológicos, os outros fatos seriam normais. A consciência coletiva define o que socialmente vai de acordo com as crenças, costumes e sentimentos comuns ao grupo, é a forma moral vigente na sociedade. Exemplificando: o assassinato de um indivíduo seria um fato normal, acontece a todo instante em toda a sociedade, no entanto, uma chacina é algo anormal, indica que algo está errado na sociedade, constrange a estrutura social, sendo assim, patológico, mórbido.
Tendo essas informações como base, eu chegaria à hipótese da consciência cristã que habita o ser humano, mesmo os que dizem não acreditar em força superior. Reflita: nos animais há fatores que diferenciam os machos das fêmeas e que são utilizados pelas fêmeas para escolher com qual macho ela irá se acasalar e perpetuar a espécie, garantindo a sobrevivência dos filhos com uma “seleção genética”. O canto, a coloração, o porte e a força são alguns desses aspectos. Machos brigam entre si pela disputa de território. E o homem globalizado? O que ele oferece? Como ele age?
Afirmo que não é a força, devido a fatos que marcaram a criação e formação do povo brasileiro, por exemplo. As índias, com base na sua cultura, escolhiam por marido o índio mais forte, com maior habilidade de sobrevivência e adaptação. Quando o europeu chegou a estas terras, a situação se alterou um pouco. Os portugueses eram culturalmente mais avançados que os índios. Em comparação, seriam uns dez mil anos de diferença tecnológica entre os dois povos. O europeu não se adaptava a vida do índio, então, por que as índias queriam de qualquer forma reproduzir-se com eles?
A diferença do nível cultural foi o atrativo. As índias acreditavam que os europeus eram deuses, provável que pelos equipamentos, utensílios, maneiras de se vestir, cor, armas, as caravelas. Assim, as índias queriam filhos dos europeus e os europeus aproveitavam da situação. Então, vemos o ponto onde ouve a mudança. Mas espere... Se para os índios esses atos não eram errados, por que nós conceituamo-los assim? Por que ter relação fora do casamento seria errado? Por que quando uma pessoa trai, nós a culpamos e julgamo-la culpada? Ora, se não te consideravas um cristão, agora pode sentir-se livre para gritar que o é.
Grande parte das coisas que o ser humano abomina, condena, é por causa dessa sua consciência religiosa, consciência que se aloja no subconsciente. Por que é errôneo brigar para resolver diferenças? Por que é errado brigar por uma mulher? Por que é errado matar? É possível que alguém me responda que foi uma forma que a sociedade criou para se auto-defender, defender a perpetuação da espécie. Mas qual o problema de sobrevivência, que poderia levar a sua própria extinção, o homem enfrenta? As guerras seriam o problema? Dificilmente conseguiriam matar essa meia dúzia de bilhão de pessoas que existem, os custos seriam altíssimos.
Não sou capataz de satanás, não estou instigando a violência, apenas questiono o fato do homem não se conscientizar de que pode tomar suas próprias decisões e escolhas sem depender de fatores culturais que lhe foram impostos. O homem não se questiona mais. Não percebe que estamos na era individualista, onde nós avaliamos o que é necessário para a nossa sobrevivência e deixamos de lado aquela história de sociedade organizada que segue culturas. Os valores individuais são mais válidos do que os valores coletivos.
Retornando a Durkheim: tem generalidade, coercitividade e exterioridade? Claro que sim, essa consciência existe muito antes de nós, nos é imposta, não é particular a uma única sociedade, atravessa gerações.
Temos que perceber esses atos impulsionados pela nossa cultura e reavaliá-los, afinal, os séculos passam e a sociedade muda. Observar os bloqueios mentais psicológicos que nos impedem de agir racionalmente. Ao contrário do que estudamos, o homem não é um animal tão racional assim. Vou deixar pra escrever mais numa próxima vez, reavaliando essas palavras surgidas dum pequeno pensamento enquanto eu almoçava. Deixo-me o direito de aprimorar esse pensamento posteriormente, corrigindo os erros que houver e melhorar o que tiver de ser melhorado... Essas confusões ficam perturbando minha mente...