quinta-feira, maio 12, 2005

A existência

“Acabou! Palavra Tola! Acabou porquê?
Acabou e depois nada, a indiferença plena!
Do que serve o eterno criar
se a criação em nada acabar?

Fausto, Goethe

Essas palavras soam muito cortantes em meus ouvidos. Eu sou existencialista. Melhor, quem dera eu fosse! Porém eu não nego que essas indagações são partes da minha mente. Toda uma idéia da existência humana e de tudo o que ela compõem. Já disse que olho o ser humano com olhos intrigados às vezes. São nesses momentos que eu me pergunto se pertenço exatamente a essa raça, pois pareço simplesmente pensar diferente dela. São momentos, porém os são. Isso não me faz sentir muito bem, porém profundo, ao passo que diferente.

Esses versos eu tirei do livro “O Mundo de Sofia”, cuja história é ótima, porém eu acho que final meio perdido. Talvez porque Jostein Gaarder quisera colocar ali sua própria filosofia. É um livro excelente que eu recomendaria para todas as pessoas.

Talvez pensar sobre a existência humana seja algo que te leve à loucura ou, popularmente falando ‘conversa de bêbado’. Contudo existe somente um fino fio de ouro que separa a loucura da genialidade. Desde que a loucura/genialidade seja compatível. Não me porto na ociosidade mental. Acho que isso pouco tem a me acrescentar e prefiro pensar sempre, mesmo que isso gere mais dúvidas, pois é essa a única certeza de que eu tenho.

Esses pensamentos obviamente esbarram na existência de Deus. Daqui temos um assunto delicado. Para mim é cuidadoso falar disso, pois ainda não tenho uma percepção muito nítida formada. Não me pergunto quem é Deus, de onde veio. Não nego a minha visão religiosa, tem isso dentro de mim. Não sou ateísta, sou agnóstico e além disso, criacionista. “Sobre a Origem as Espécies” que me aguarde, ainda me afundarei nessa leitura, antes, porém, preciso urgentemente de Goethe. Depois terei que ler Nietzsche, Darwin. Não pretendo ler Marx e suas inquietações sociais, mesmo que sua aversão à religião seja famosa. Provavelmente qualquer religião levaria uma pancada com essas leituras ou então o nível de insanidade em mim aumentaria. É nesse momento que tenho que quebrar esse fio de ouro.

Existe esse fio de ouro?

“Acabou”! O que ler desse verbo?
É como se não tivesse existido
E ainda sim gira em círculos, tivesse ele sido
Pois o eterno vácuo eu teria preferido!

Fausto, Goethe

terça-feira, maio 03, 2005

Divagações de estrada

Enquanto o engarrafamento retardava minha chegada à faculdade hoje, eu pensava. Por alguma razão esdrúxula qualquer eu comecei a divagar sobre o patriotismo humano. Esse sentimento, que faz com que pessoas nascidas em um mesmo local se agreguem na presença de pessoas de outra nacionalidade, é bem questionável.

Na verdade, acho que tudo é uma busca pelo seu semelhante. Brasileiros sentem-se mais à vontade com brasileiros do que com americanos, por exemplo. Deixando as críticas aos nossos colegas do norte de lado, tudo é uma simples questão de ter os mesmos gostos, os mesmos assuntos, as mesmas referências para entender a piada. Mas por que buscar uma pessoa semelhante a você seria vantajoso? Afinal, o clichê sempre disse que os opostos se atraem. É isso realmente só para que a conversa flua? Sei lá, mas eu acho que não.

Minha teoria *olha a prepotência, chamando de minha...* se comprova quando olhamos para um único país. As pessoas não se amam e não viram melhores amigas umas das outras só porque nasceram no mesmo país. Não, elas ainda buscam pessoas semelhantes. É muito difícil uma pessoa que gosta de forró ser muito amiga de alguém que ouve rock (e detesta forró). Para onde sairão no fim de semana? Para o show do Placebo ou pro forró no pé da serra? Mas eu continuo achando que a questão de local em comum para sair ainda não é a explicação para isso.

A raiz de tudo, na verdade, está no individualismo. O ponto é que nos achamos tão bons, mas tão bons, ao ponto de escolhemos as pessoas que mais se pareçam conosco para serem nossas companheiras. Logo, nacionalismo é, na verdade, individualismo.

Estou viajando muito? Essa é uma teoria já confirmada na qual eu só pensei agora? Não sei, não sei mesmo. Qualquer coisa, culpem o engarrafamento.

domingo, maio 01, 2005

Música

Afinal, nós geminianos precisamos, como qualquer romance que se preze, ter uma música. Não reservo pra mim o mérito de ter encontrado a que se encaixa perfeitamente, aliás, acho que pra nenhum de nós três. Se eu bem me lembro, ela chegou até nós por um amigo do senhor gemini que disse lembrar dele cada vez que a ouvia. Logo, muito obirgada amigo atencioso!

Segue a letra:

Natalie Imbruglia - That Day

That day, That day
What a mess what a marvel
I walked into that cloud again
And I lost myself
And I'm sad, sad, sad
Small, alone, scared
Craving purity
A fragile mind and a gentle spirit

That day, That day,
What a marvelous mess
This is all that I can do
I'm done to be me
Sad, scared, small, alone, beautiful
It's supposed to be like this
I accept everything
It's supposed to be like this

That day, That day
I lay down beside myself
In this feeling of pain, sadness
Scared, small, climbing, crawling
Towards the light
And it's all that I see and
I'm tired and I'm right
And I'm wrong
And it's beautiful

That day, That day
What a mess, what a marvel
We're all the same
But no one thinks so
And it's okay
And I'm small and I'm divine
And it's beautiful
And it's coming
And it's already here
And it's absolutely perfect

That day, That day
When everything was a mess
And everything was in place
And there's too much hurt
Sad, small, scared, alone
And everyone's a cynic
And it's hard and it's sweet
But it's supposed to be like this

That day, That day
When I sat in the sun
And I thought and I cried
Cause I'm sad, scared, small
Alone, strong
And I'm nothing and I'm true
Only a brave man can break through
And it's all okay
Yeah, it's okay

That day, That day
I lay down beside myself
In this feeling of pain, sadness
Scared, small, climbing, crawling
Towards the light
And it's all that I see and
I'm tired and I'm right
And I'm wrong
And it's beautiful

That day, That day
What a mess, what a marveleous mess
We're all the same
But no one thinks so
And it's okay
And I'm small and I'm divine
And it's beautiful
And it's coming
And it's already here
And it's absolutely perfect

That day, That day
That day, That day

That day, That day
When I lay down beside myself
In this feeling of pain, sadness
Scared, small, climbing, crawling
Towards the light
And it's all that I see and
I'm tired and I'm right
And I'm wrong
And it's beautiful

That day, That day
What a mess, what a marveleous mess
We're all the same
But no one thinks so
And it's okay
And I'm small and I'm divine
And it's beautiful
And it's coming
And it's already here
And it's absolutely perfect

That day, That day
That day, That day
That day, That day
That day, That day

So sweet, can you feel it? (Can you feel it?)
Are you here?
Are you with me?
I can feel it
And its beautiful

That day, That day
That day, absolutely perfect

______________________________________________________________________
Nunca fui muito fã dela, mas essa música foi uma jogada de mestre.

Pois é, preciso dar mais contribuições minhas e somente minhas a este blog. Acho melhor meus colegas pararem de escrever esses textos absurdamente bons, porque assim eu fico com vergonha.

... (?!)

Amor não é...

Recebi esse texto de um amigo meu. Achei muito legal!

O amor não é...

"O amor não é algo que o faz sair do chão e o transporta para lugares que você nunca viu. O nome disso é avião. O amor é outra coisa."

"O amor não é uma coisa que você esconde dentro de si e não mostra para ninguém. Isso se chama vibrador tailandês de três velocidades. O amor é outra coisa."

"O amor não é uma coisa que te faz perder a respiração e a fala. O nome disso e bronquite asmática. O amor é outra coisa."

"O amor não é uma coisa que chega de repente e o transforma em refém. Isso se chama seqüestrador. O amor é outra coisa."

"O amor não é uma coisa que voa alto no céu e deixa sua marca por onde passa. Isso se chama pombo com caganeira. O amor é outra coisa."

"O amor não é uma coisa que você pode prender ou botar pra fora de casa quando bem entender. Isso se chama cachorro. O amor é outra coisa."

"O amor não é uma coisa que lançou uma luz sobre ti e o levou pra ver
as estrelas. Isso se chama alienígena. O amor é outra coisa."

"O amor não é uma coisa que desapareceu e que, se encontrado, poderia
mudar o que está diante de você. Isso se chama controle remoto da TV. O amor é outra coisa."

Ainda não sei o que é amor...

quinta-feira, abril 28, 2005

Lágrimas do passado

Eu ainda sinto o gosto das lágrimas do passado escorrendo sobre minha boca. Vejo o desespero, a dor, a angustia e a solidão acariciando meus cabelos. O ódio enxugou minhas lágrimas com lenço negro.

Não quero compreensão, não quero palavras, guarde-as. A vida apenas começa e ainda caminho pelos cantos escuros. Nunca escrevi sobre meus sentimentos, sempre me mantive afastado de diários, jamais quis deixar gravados os sentimentos, acreditava poder um dia esquecê-los.

Julgaram-me de todas as formas possíveis, fizeram condenações a mim. Um dia verão isso se voltar contra eles mesmos, seja pelas minhas mãos, pelas mãos de Deus, ou pelas mãos do demônio. O tempo cria situações e eu rezo todo dia para que eu não as veja.

O passado me acompanha como sombra lúgubre. Trago explícito em meus olhos os meus desejos, entretanto os escondo com minhas palavras. Quantas vezes tentei ser bom a fim de me enganar... Quantas vezes moldei minha personalidade, minha forma de agir... Quantas noites tentei silenciar meus pensamentos...

Carrego comigo marcas que escondo. Escondo de todos e tento escondê-las de mim mesmo. Tento de todas as formas mantê-la apagada, no entanto ela se acende a cada dia, sempre crescendo. Não adianta fechar os olhos, não adianta tentar sorrir, algumas marcas são eternas.

quarta-feira, abril 27, 2005

A vida é frágil

Vou dar aqui alguns exemplos sobre a fragilidade da vida. Não vou entrar em nenhum âmbito filosófico, somente darei alguns simples e corriqueiros exemplos do meu dia-a-dia e todos logo entenderão como a vida é frágil. Peço perdão para aqueles que não conhecem o Rio de Janeiro tão bem, mas dentro dos exemplos eu vou explicar como era a situação e o lugar, assim ninguém se perderá.

Primeiro caso: Av. Presidente Vargas – Próximo à Central do Brasil

Pelo filme, o lugar já é famoso. Ali é o centro do Rio, lugar como maior número de ônibus e de pessoas andando. Em horário de trabalho, as ruas lotam e ficam cheias de gente e automóveis em alta velocidade. A largada desse GP começa na Candelária. Até Central do Brasil são três ruas largas e retas e com alguns sinais de trânsitos que, para dar vazão ao número de carros e ônibus, ficam abertos com pouco tempo de passagem para transeuntes. Pois bem, acontece que no horário de pico (saída de trabalhadores, às 17h por aí), esse lugar fica muito cheio, tanto de pedestre como ônibus e carros (carroças, caminhões, depende das pessoas). Daí começa a incrível disputa. Tanto no sinal dos pedestres como dos automóveis existem o sinal amarelo que mostra que tempo está acabando. Ambos quando vêem o sinal, disparam a adrenalina e disparam a correr – o que deveria indicar ‘atenção’, passou a indicar ‘corre que dá tempo’. Numa dessas corridas perigosas, sem contar aqueles que vão indo de divisão em divisão (faixa branca) até atravessar toda a pista, ah sim, com os carros passando – não se esqueçam da adrenalina... numa dessas corridas perigosas, tinha uma senhora ao meu lado esperando o sinal abrir novamente, mostrando, assim como eu, à civilização como se deve agir; a senhora simples virou-se para mim e disse, com uma naturalidade que me espantou:

- Esses dias eu estava aí, daí uma mulher saiu correndo achando que dava tempo, o carro veio e não conseguindo frear, bateu - eis a frase impactante e de desaprovação (com toque de desprezo)- ficou aí no chão. Acho que nem carteira de identidade tinha, deve a sete palmos como indigente. Não faz essas coisas não, é melhor esperar. - tinha algo a acrescentar no final.

Por que eu lembrei disso hoje?

Temos no Rio do segundo GP – a rua São Francisco Xavier que fica em frente à UERJ (não é à toa que o autódromo de Jacarepaguá foi desativado). Quando os alunos saem, pelo comprimento da rua ser menor, eles tentam atravessar. Contudo os carros e seus veículos (que se assemelham a automóveis) vêem em alta velocidade quando o sinal está aberto. Hoje tinha um homem que, casa vez que uma pessoa tentava atravessar com sinal aberto e recuava porque via que não dava tempo, esse homem gritava:

- Vai morrer! Vai morrer! - eu achei aquilo muito engraçado e foi nesse instante que pensei na fragilidade da vida.

Isso me deu origem a outro pensamento: eu nunca vi em toda a minha vida, nem ouvi relatos, de pessoas excêntricas (pois isso é considerado excentricidade) jogando dinheiro de cima de altos edifícios, porém seus corpos, em uma profunda depressão, eles jogam. O famoso suicídio! Pois bem, eis uma dica: quando tiver pensando em se matar e deprimido, tenta antes de tudo jogar dinheiro para testar seu nível de loucura.

É por essas e outras que dizer ‘a vida é a maior dádiva’ se torna um verdadeiro sofisma... porém bonito.

segunda-feira, abril 25, 2005

Pensamentos vagos

Acerca do meu raciocínio inicial sobre coletividade e consciente humano, cheguei a algumas hipóteses e gostaria de compartilhar. Talvez isso mostre o quanto confuso e incompreendido um geminiano pode ser.

Não pretendo abordar tudo inicialmente. Gostaria de começar pela consciência que gira em torno das figuras superiores, os deuses. Assim iniciando, poderia falar sobre a criação do bem e do mal e das características que podem ser observadas no ser humano diante desse tema.

O teocentrismo terminou? É uma pergunta significante, pois consideramos que algo teve seu fim quando deixamos de percebê-lo escancarado à nossa frente. Podemos afirmar que terminou ou não, de acordo com o objeto de análise. Universalizando o tema, diria que ele é presente, mas passa despercebido.

De onde surgiu o bem e o mal? Quem definiu o que é certo e errado? Voltaria à questão do objeto em questão, entretanto, restringirei à cultura globalizada, sendo que essa teve seus alicerces culturais na Europa, considerando todos os seus aspectos, principalmente o religioso cristão.

Nossa carga cultural define o que é certo ou errado. O que é normal, comum e o que é mórbido, patológico. De acordo com Émile Durkheim, fatos sociais que agridem a sociedade, a desestruturam, vão contra seus costumes e preceitos, assim dizendo, seriam os patológicos, os outros fatos seriam normais. A consciência coletiva define o que socialmente vai de acordo com as crenças, costumes e sentimentos comuns ao grupo, é a forma moral vigente na sociedade. Exemplificando: o assassinato de um indivíduo seria um fato normal, acontece a todo instante em toda a sociedade, no entanto, uma chacina é algo anormal, indica que algo está errado na sociedade, constrange a estrutura social, sendo assim, patológico, mórbido.

Tendo essas informações como base, eu chegaria à hipótese da consciência cristã que habita o ser humano, mesmo os que dizem não acreditar em força superior. Reflita: nos animais há fatores que diferenciam os machos das fêmeas e que são utilizados pelas fêmeas para escolher com qual macho ela irá se acasalar e perpetuar a espécie, garantindo a sobrevivência dos filhos com uma “seleção genética”. O canto, a coloração, o porte e a força são alguns desses aspectos. Machos brigam entre si pela disputa de território. E o homem globalizado? O que ele oferece? Como ele age?

Afirmo que não é a força, devido a fatos que marcaram a criação e formação do povo brasileiro, por exemplo. As índias, com base na sua cultura, escolhiam por marido o índio mais forte, com maior habilidade de sobrevivência e adaptação. Quando o europeu chegou a estas terras, a situação se alterou um pouco. Os portugueses eram culturalmente mais avançados que os índios. Em comparação, seriam uns dez mil anos de diferença tecnológica entre os dois povos. O europeu não se adaptava a vida do índio, então, por que as índias queriam de qualquer forma reproduzir-se com eles?

A diferença do nível cultural foi o atrativo. As índias acreditavam que os europeus eram deuses, provável que pelos equipamentos, utensílios, maneiras de se vestir, cor, armas, as caravelas. Assim, as índias queriam filhos dos europeus e os europeus aproveitavam da situação. Então, vemos o ponto onde ouve a mudança. Mas espere... Se para os índios esses atos não eram errados, por que nós conceituamo-los assim? Por que ter relação fora do casamento seria errado? Por que quando uma pessoa trai, nós a culpamos e julgamo-la culpada? Ora, se não te consideravas um cristão, agora pode sentir-se livre para gritar que o é.

Grande parte das coisas que o ser humano abomina, condena, é por causa dessa sua consciência religiosa, consciência que se aloja no subconsciente. Por que é errôneo brigar para resolver diferenças? Por que é errado brigar por uma mulher? Por que é errado matar? É possível que alguém me responda que foi uma forma que a sociedade criou para se auto-defender, defender a perpetuação da espécie. Mas qual o problema de sobrevivência, que poderia levar a sua própria extinção, o homem enfrenta? As guerras seriam o problema? Dificilmente conseguiriam matar essa meia dúzia de bilhão de pessoas que existem, os custos seriam altíssimos.

Não sou capataz de satanás, não estou instigando a violência, apenas questiono o fato do homem não se conscientizar de que pode tomar suas próprias decisões e escolhas sem depender de fatores culturais que lhe foram impostos. O homem não se questiona mais. Não percebe que estamos na era individualista, onde nós avaliamos o que é necessário para a nossa sobrevivência e deixamos de lado aquela história de sociedade organizada que segue culturas. Os valores individuais são mais válidos do que os valores coletivos.

Retornando a Durkheim: tem generalidade, coercitividade e exterioridade? Claro que sim, essa consciência existe muito antes de nós, nos é imposta, não é particular a uma única sociedade, atravessa gerações.

Temos que perceber esses atos impulsionados pela nossa cultura e reavaliá-los, afinal, os séculos passam e a sociedade muda. Observar os bloqueios mentais psicológicos que nos impedem de agir racionalmente. Ao contrário do que estudamos, o homem não é um animal tão racional assim. Vou deixar pra escrever mais numa próxima vez, reavaliando essas palavras surgidas dum pequeno pensamento enquanto eu almoçava. Deixo-me o direito de aprimorar esse pensamento posteriormente, corrigindo os erros que houver e melhorar o que tiver de ser melhorado... Essas confusões ficam perturbando minha mente...

domingo, abril 24, 2005

Queria minha inocência de volta

Queria minha inocência de volta.

Queria ver o mundo de forma diferente, ter os primeiros contatos de uma criança, porém na mente pensante mais evoluída. Gostaria de sentir todas as coisas como se fossem únicas e adentrar num universo das novidades. Ter um ‘Carpe Diem’ sempre a minha volta e ver, nos olhos das pessoas, toda a bondade que a sociedade me vetou.

Não gostaria de sentir a desconfiança, pois os laços sinceros seriam meus ideais. E não existiria utopia, porque ainda seria uma criança. Quando andasse na rua e visse um senhor de idade pedindo dinheiro, olharia para os meus pais e perguntaria:

- Papai, mamãe, porque ele está assim pedindo dinheiro? – eles não responderiam, por um sentimento de culpa que deveria ter muito em breve, assim como eles têm.

Naqueles olhos caridosos do velhinho, que a vida não lhe a graça da boa vivência, eu veria os meus, que acreditaria na bondade das pessoas e as moedas seriam as gotas que preencheriam a credibilidade. Eu não gostaria de ter essa esperança forçada na bondade, a perda da naturalidade é uma prisão irrevogável e inafiançável. Depois de ver que tudo o que sobrou para mim foram provas do egoísmo humano. Sou assim, um velho pedindo dinheiro na rua, confiando nos transeuntes de uma vida, sendo maculado pelos cravos que já conheço, observando cada ser humano passar e me agarrando com força àqueles cuja naturalidade eu aprecio... estão livres.

Queria ser criança, para me ajoelhar diante desse velhinho e ver as minhas escolhas. Os dois estariam face a face, com brilhos nos olhos trocados. Eu escolheria um jovem que sou, com vestígios de criança, desnutrida de pessimismo e um pouco da experiência do senhor, que recolhe suas gotas pelo caminho da vida.